Representantes das centrais sindicais filiadas à Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOSL) estiveram ontem em São Paulo (SP) para um encontro de "solidariedade" à Central Única dos Trabalhadores (CUT). A entidade brasileira é alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) já instalada no Congresso Nacional para averiguar denúncias de repasse ilegal de verbas para o Partido dos Trabalhadores (PT). Hoje a delegação de sindicalistas tem encontro agendado com os presidentes do Congresso, senador Humberto Lucena (PMDB-PB), e da Câmara dos Deputados, Inocêncio de Oliveira (PFL-PE). Amanhã, deverão se reunir com o presidente Itamar Franco. Não há qualquer problema nas prestações de contas da CUT para a CIOSL, afirmou o secretário-geral da confederação internacional, Enzo Friso, acrescentando que a entidade "é muito rígida no controle das verbas". Segundo ele, todas as movimentações financeiras sofrem auditorias internas e externas. "Nada é repassado em caráter de fundo perdido", disse. No ano passado, a CUT recebeu do exterior um montante de US$1.010.609,22, maior parte proveniente da Organização Interclesial para a Cooperação ao Desenvolvimento (ICCO), da Holanda, que enviou aproximadamente US$415 mil para a efetivação de um plano global de cooperação entre as duas centrais. Todas as informações sobre números foram passadas pela CUT. Friso limitou-se a concordar com eles, no entanto sem mencioná-los ou apresentar documentos. Para Friso, a CPI da CUT "é uma iniciativa da classe patronal para diminuir a eficácia do movimento sindical". Apesar das críticas, o presidente da CUT, Jair Meneguelli, diz que a delegação não pedirá o arquivamento da CPI no Congresso (GM) (FSP).