Os bairros mais pobres do Rio de Janeiro (capital), incluindo as favelas, desperdiçam 30% a mais de alimentos do que os bairros cariocas de classe média-alta. Os pobres jogam mais roupas e sapatos no lixo que os ricos, quase não consomem embalagens de vidro, comem mais feijão e açúcar que os consumidores mais favorecidos e dificilmente são encontradas em suas lixeiras caixas de pílulas anticoncepcionais ou preservativos. Vasculhar o lixo gerado pela população carioca, a partir de amostras recolhidas em 14 áreas da capital, estatisticamente representativas do volume total de resíduos produzidos pelas classe média, alta e baixa, tem sido um dos principais trabalhos da diretoria industrial da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (COMLURB), o mesmo setor que opera as três usinas de reciclagem e compostagem da cidade. Conhecer a composição do lixo gerado pela população é regra básica para quem pretende obter retorno financeiro com a venda dos materiais recicláveis despejados nas lixeiras. No entanto, mediante a análise de tudo o que compõe o lixo urbano, é
77826 possível avaliar os hábitos de consumo da população, relacionando-os ao
77826 poder econômico, e inferir seus reflexos sobre assuntos correlatos, como a
77826 saúde, a educação e o meio ambiente, destaca Paulo Carvalho Filho, presidente da COMLURB, apontando o volume de matéria orgânica como o principal indicador das diferenças sócio-econômicas entre os bairros pesquisados. Enquanto no bairro da Penha, no subúrbio do Rio, a matéria orgânica-- composta principalmente por restos de alimentos-- representa 46% do lixo, na avenida Vieira Souto, ponto mais valorizado da cidade, a geração de produtos orgânicos não passa de 23%. No Novo Leblon, região da Barra da Tijuca, também de classe média-alta, o volume de resíduos orgânicos é de 31% (GM).