VACINA QUE REDUZ A GRAVIDEZ É CONDENADA

Uma vacina que reduz a gravidez à condição de doença está sendo apontada como uma grande ameaça à saúde feminina. A polêmica sobre a vacina imunológica contraceptiva, pesquisada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em Genebra (Suíça), veio à tona na Conferência Internacional da Saúde da Mulher, que reuniu, na semana passada, 230 grupos de organizações não-governamentais de diversos países no Rio de Janeiro (RJ). O Movimento Internacional pela Interrupção de Pesquisas sobre Vacinas Contraceptivas, que conta com a participação de organizações de 18 países, pretende detê-las por considerar sua "ambiguIdade ética" e os riscos de saúde das mulheres envolvidas nos testes. "Uma vez injetada a vacina, não há mais retorno", apontou a holandesa Yvonne Bogaarts, da ONG Women`s Health Action Fund, de Amsterdã. Segundo ela, a vacina também está sendo pesquisada pelo Instituto Nacional de Imunologia, da Índia; pelo Population Council, de Nova Iorque; pelo Programa de Desenvolvimento e Pesquisa Contraceptiva, dos EUA; e pelo Instituto Nacional para o Desenvolvimento e Saúde da Criança. Fernanda Carneiro, pesquisadora do Centro de Saúde do Trabalhador e da Ecologia Humana da FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz), filiada ao movimento, explica o mecanismo da vacina: "ela atua direcionando o sistema imunológico contra componentes essenciais à gravidez e neutralizando a gonadotrofina coriônica, um hormônio produzido na mulher pelo óvulo fertilizado logo após a concepção. As críticas à vacina incluem o fato de sua fabricação incluir hormônio alterado e associado a um condutor bacteriano ou viral (como os que causam a difteria ou o tétano). Desta forma, o sistema imunológico confunde o hormônio natural da gravidez com um germe infeccioso e reage contra ele, interrompendo a preparação para a gravidez e expelindo o ovo já fecundado. Fazemos uma consideração ética. Será possível controlar a aplicação
77819 em mulheres pobres e desinformadas?, questiona Maria Bethania Ávila, da ONG SOS Corpo. No Brasil, segundo informações de ONGs, já houve tentativa de pesquisa similar, frustrada em 1982 pelo Ministério da Saúde (JB).