MENINAS ESTUDAM MENOS QUE MENINOS

Em grande parte dos países, as meninas continuam tendo menos oportunidades de frequ"entar uma escola do que os meninos. O mais recente levantamento sobre o assunto, a ser divulgado hoje em Washington (EUA) pelo Population Action International (PAI), um grupo privado de estudos sobre crescimento populacional, inclui o Brasil nessa lista. O país está classificado numa posição apenas "razoável" num ranking que contém 112 nações. O índice de matrículas de meninas nas escolas primárias brasileiras chega a 95%. Ele, porém, cai para pouco menos da metade no curso secundário: 45%. O estudo mostra, ainda, que as meninas do Brasil passam em média apenas 3,8 anos na escola. Com tal perfil, o país ficou abaixo de outros mais pobres-- como, por exemplo, Mongólia, Sri Lanka, Albânia, Botswana e Lesoto. Na América Latina, os brasileiros perdem em escolaridade feminina para Cuba, Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia, Panamá, México, Venezuela, Equador, Nicarágua, República Dominicana, Costa Rica e Honduras. A diretora de pesquisas do PAI, Shanti Conly, disse que a pesquisa tem um aspecto importante do ponto de vista do crescimento populacional. Ela mostra que cada ano adicional de escolaridade das mulheres representa um declínio de 5% a 10% na mortalidade infantil. Motivo: "Mulheres melhor educadas casam-se mais tarde, querem ter menos filhos, e são as que mais utilizam com êxito um método anticoncepcional. Elas têm apenas o número de crianças que querem ter. A educação e o planejamento familiar têm um impacto tremendo na qualidade de vida de uma mulher, e propicia benefícios à sociedade como um todo", disse Conly. O Sri Lanka e a Coréia do Sul são dois exemplos disso. Ambos têm altos índices de educação feminina e de programas de planejamento familiar. O índice de filhos da família média na Coréia do Sul é de 1,8 filhos. No Sri Lanka, um país bem mais pobre, ele é de 2,4 crianças. Outro indicador exemplifica também as vantagens da educação feminina. O índice de mortalidade infantil no Sri Lanka é de 19 por cada mil nascidos. Na Coréia do Sul, 17. No Brasil, 57 (O Globo).