REDE DE SONEGADORES É MAIOR DO QUE A MÁFIA DO ORÇAMENTO

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da máfia do Orçamento fechou seu relatório com 18 acusados por fraudes e desvio de verbas públicas. Levantamento feito pela sub-comissão de patrimônio, entre 1988 e 1992, mostrou, porém, que quase todos os políticos investigados vinham omitindo há anos, em suas declarações, a compra e venda de imóveis, carros e telefones. "Cerca de 94% das declarações analisadas pela sub-comissão de patrimônio apresentavam irregularidades", disse o deputado Zaire Rezende (PMDB). As irregularidades são tantas que a CPI gastou três páginas do relatório final para enumerar erros nas declarações de Imposto de Renda do deputado Fábio Raunhetti (PTB-RJ), um dos campeões no desvio de recursos da União. Além de omitir os recursos aferidos irregularmente com desvios do Orçamento, ele deixou de declarar propriedades e subavaliou seu patrimônio. Em praticamente todos os casos, a movimentação bancária foi muito superior à renda declarada ao fisco. O deputado João Alves (sem partido- BA), principal acusado na máfia do Orçamento, teve em cinco anos US$21 milhões de créditos bancários, mas sua renda ficou restrita a menos de US$500 mil-- os salários de parlamentar. O deputado Genebaldo Correia (PMDB-BA) comprou três lotes no Município de Vera Cruz (BA), em 1985, mas somente os declarou em 1991 (O Globo).