O vazamento de 350 toneladas de petróleo na bacia de Campos (RJ) há uma semana antecipou a discussão sobre o impacto ambiental do emissário submarido que a PETROBRÁS quer construir em Macaé (RJ). A empresa afirma que não haverá danos ao meio ambiente, mas o grupo Defensores da Terra e a Associação Macaense de Defesa Ambiental (AMDA) denunciam a falta de informações sobre a obra. A tubulação, que terá quatro quilômetros de comprimento sob o mar e 12,4 quilômetros em terra, passará 10 metros abaixo do espelho dágua e lançará no mar-- depois de tratamento secundário-- a água residual que se mistura ao petróleo durante o processo de extração. O Estudo de Impacto Ambiental apresentado à FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente) prevê o lançamento de fenol acima do nível máximo permitido pela legislação estadual, mau cheiro sobre a área onde será instalada a estação de tratamento devido às substâncias utilizadas na água e interferência na reprodução de peixes, como a tainha. A alteração da qualidade da água devido à contaminação por
77814 hidrocarbonetos e fenóis poderá afetar os mecanismos de reprodução,
77814 alimentação e divisão celular. O eventual comprometimento de ovos e lavas
77814 de espécies de valor comercial poderá trazer reflexos negativos na
77814 produção pesqueira local, diz o relatório elaborado pela Enge-Rio. A obra de US$10 milhões é necessária para atender ao aumento da produção. Segundo o coordenador de Meio Ambiente da PETROBRÁS, Geraldo Luiz Koeler, o atual processo de descarte dos resíduos custa US$700 mil por ano e é mais poluente. A PETROBRÁS é obrigada a usar navios para lançar o resíduo em águas internacionais, a 100 quilômetros da costa. Ele afirmou que a empresa aperfeiçou o processo para evitar danos (O Globo).