Escolhido pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para elaborar as propostas da área militar do programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o coronel Geraldo Cavagnari, 59 anos, defende investimentos pesados no setor- - de 0,5% para 2% do Produto Interno Bruto (PIB), ao longo de cinco anos (cerca de US$8 bilhões anuais)-- e a reativação dos principais programas militares, principalmente o nuclear e o Calha Norte. Também defende a criação do Ministério da Defesa. Cavagnari discorda das atuais atribuições constitucionais das Forças Armadas. Na revisão constitucional, segundo ele, devem "tirar aquelas duas palavrinhas-- a lei e a ordem". Para ele, a referência à lei e à ordem admite que as Forças Armadas "possam ser empregadas em qualquer movimento que venha a ameaçar a lei". Suas propostas já receberam aval do PT. Há uma única dúvida-- o fim do serviço militar obrigatório. Diretor do Núcleo de Estudos Estratégicos da UNICAMP (Universidade de Campinas-SP), Cavagnari entende que a tarefa constitucional das Forças Armadas deve ser exclusivamente a defesa da pátria e dos poderes constitucionais. Petista, mas sem ser filiado ao partido, Cavagnari diz não haver riscos de insubordinação militar a uma eventual vitória de Lula. Segundo ele, aumenta entre os militares a aceitação à candidatura de Lula (FSP).