O presidente Itamar Franco recebeu ontem do Tribunal de Contas da União (TCU) a lista dos 51 órgãos públicos que terão suas contas investigadas por gastos irregulares com atividades secretas, no ano passado. Os 51 órgãos destinaram, sem previsão legal, cerca de CR$69,7 milhões para ações consideradas "sigilosas". De acordo com o levantamento, o recordista em despesas irregulares foi o Ministério da Aeronáutica, que efetuou gastos da ordem de CR$44,7 milhões em atividades secretas. Por CR$5 milhões, o ministério não alcançou o montante destinado à Presidência da República. Somente a Presidência e outros três órgãos foram autorizados a efetuar esse tipo de despesa. Sem autorização, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) destinou CR$4,6 milhões do seu caixa para serviços secretos. Na proposta orçamentária para este ano, a SAE figura entre as sete unidades que tiveram recursos solicitados na proposta orçamentária para esse tipo de trabalho. Na lista, o terceiro lugar de gastos imprevistos cabe à Universidade Federal do Ceará (CR$3,6 milhões). Há também quem tenha feito gastos irrisórios, como o Estado-Maior das Forças Armadas, CR$138,62, o IBGE, CR$410,63, e a SUDENE, CR$2 mil. Além do Ministério da Aeronáutica, outros oito estão incluídos na lista, mas com gastos bem inferiores. O Ministério da Fazenda, por exemplo, efetuou uma despesa de apenas CR$11,9 mil. Mas não é apenas o Executivo que aparece. Dentre os 51 órgãos também estão o Senado Federal (CR$731 mil) e a Justiça do Trabalho (CR$29,6 mil) (O Globo).