BIRD E FMI VÊEM POUCAS CHANCES PARA O PLANO ECONÔMICO

O ex-vice-presidente do Banco Mundial (BIRD) para a América Latina e o Caribe, Shahid Hussain, disse ontem em Nova Iorque (EUA) que o Brasil "é a maior nuvem no horizonte" do subcontinente. Hussain deixou o cargo no último dia 15 para se tornar vice-presidente de pessoal e administração do BIRD. Ele afirmou no Conselho das Américas que os esforços para se reformar a economia no Brasil não têm tido apoio suficiente para serem significativos e que é incerto que o Banco Mundial vá ajudar o país a reestruturar sua dívida com os bancos privados dentro dos termos do chamado Plano Brady. No Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional (FMI), a opinião consensual é de que o plano econômico do ministro Fernando Henrique Cardoso (Fazenda) tem muito poucas chances de dar certo por falta de suficiente sustentação política. O motivo principal da desconfiança não está no ministro, mas no presidente Itamar Franco, considerado liderança fraca e ambígua nas duas entidades. O Brasil precisa do aval do FMI e do BIRD para concluir o acordo de sua dívida com os bancos privados. A data marcada para a conclusão do acordo é abril. Dirigentes do Fundo têm dito em conversas informais que se a inflação não tiver baixado até lá ou não estiver em clara tendência de queda, o aval necessário não será dado (FSP).