PESQUISA MOSTRA PERFIL DE FAMÍLIA CARENTE EM SÃO PAULO

O perfil das famílias carentes da região metropolitana de São Paulo foi pesquisado pela Fundação SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados). A família típica tem como chefe migrantes (65%) ou apenas mulheres (23%), tem renda familiar de até dois salários-mínimos (92,3%) e vive em habitações precárias (76%) e sem rede de esgoto (20%). Nessas famílias se concentra a maior taxa de crianças ou adolescentes: três a quatro em 40% delas. As famílias pobres têm pelo menos três das quatros chamadas carências básicas: saúde, educação, habitação e renda. Esse é o resultado da pesquisa "Condições de Vida na Região Metropolitana de São Paulo", realizada pela Fundação SEADE, entre junho e agosto de 1990, e publicada no volume "Crianças e Adolescentes" da série Análises Especiais. Os técnicos pesquisaram 5.500 famílias, que foram divididas em quatro grupos. O critério de avaliação para classificação sócio-econômica levou em conta quatro aspectos: educação, habitação, mercado de trabalho e renda. O resultado mostra que 17,4% das famílias estão na classe A, 37,7% na B, 19,7% na C e 25,2% na D. Nas famílias carentes, cerca de 30% da renda vem do trabalho de crianças e adolescentes. É nessa faixa onde também está o maior número de famílias chefiadas somente por mulheres: 22,6%. E também onde está a maior porcentagem de pessoas na faixa de sete a 17 anos que não frequentam a escola: 16,7%, contra 10% no geral. As justificativas dadas para a não-frequência à escola são falta de vagas (41%), segundo as mães, e necessidade de trabalhar (38%). O nível de amamentação das crianças do grupo mais pobre também é menor: 40%, enquanto no grupo A ele chega a 60%. Do total de famílias da classe D, 75% não receberam nenhum tíquete ou alimentos de programas oficiais. Os outros dados sobre trabalho e educação são: -- 15% dos menores entre 10 e 14 anos estão no mercado de trabalho. -- 72% trabalham na faixa de 15 a 17 anos. -- 21,8% das crianças carentes tem educação pré-escolar. Nas famílias de classe A, 50% estão na pré-escola. -- 16,7% das crianças pobres não frequentam escolas. -- 41% das mães dizem que seus filhos não estão na escola por falta de vagas. -- 38% indicam o trabalho como o principal motivo para não estudarem. -- 50% dos carentes menores de 17 anos foram reprovados no 1o. grau (FSP).