VEREADORES SE UNEM PARA BARRAR O FIM DOS SALÁRIOS NAS CIDADES

Vereadores de todo o Brasil começam a se articular para derrubar uma das propostas para a revisão constitucional que já conseguiu parecer favorável do relator Nelson Jobim (PMDB-RS): a que elimina os vencimentos de vereadores em cidades com menos de 10 mil habitantes, e que reduz de nove para cinco os membros da Câmara local. Mas segundo o presidente da União de Vereadores do Brasil (UVB), Paulo Silas de Melo, membro da Câmara Municipal de Taboão da Serra (SP), a preocupação da classe não é apenas com a própria sobrevivência. Silas afirma que grande parte do subsídio recebido na verdade é transformado em assistência a eleitores, com pagamento de passagens, remédios, despesas de cartório, aluguel de ambulâncias e toda sorte de favores que transformem o vereador em um "agente político contra a miséria social", segundo sua expressão. "Damos sustentação aos deputados em suas bases eleitorais", afirmou Silas. A UVB reúne todos os 55 mil edis eleitos no país, e tem caráter pluripartidário. Cerca de 35 mil vereadores, recebendo uma remuneração média de 3,5 salários-mínimos (cerca de US$290), são atingidos pela proposta encampada por Jobim. O acatamento desta emenda permitiria uma economia de apenas US$10 milhões, aproximadamente. Isso já é um valor baixo demais", argumenta Silas (GM).