ITAMAR ENVIA INDICAÇÃO DE HERBERT DE SOUZA PARA O PRÊMIO NOBEL

O presidente Itamar Franco enviou ontem ao Comitê Nobel da Noruega, em Oslo, a indicação do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, para o Prêmio Nobel da Paz deste ano. Na carta, Itamar afirma que endossa a proposta do presidente da Câmara dos Deputados, Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), de que Betinho seja considerado para o Prêmio Nobel. O senhor Herbert de Souza obteve o reconhecimento da Nação em benefício
77776 dos pobres e desassistidos do país, diz a carta de Itamar. ""Essa iniciativa tem logrado mobilizar as boas intenções individuais e aglutinar apoio coletivo em prol de um movimento nacional para o alívio da pobreza e a erradicação da fome no Brasil". A Embaixada da Noruega em Brasília (DF) também recebeu a indicação de Betinho para o Nobel da Paz, feita pelo governo paulista. O secretário de Ciência e Tecnologia de São Paulo, Roberto Muller Filho, entregou ao embaixador da Noruega, Sigurd Endresen, documentação complementar fazendo a mesma indicação. Na mensagem, o governador Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB) faz um resumo do passado de Betinho, que passou 15 anos no exílio por causa de perseguições políticas e lembra que ele luta pela vida desde a infância, por ser hemofílico. Também diz que Betinho contraiu o vírus HIV em transfusões de sangue. "Embora tenha posições políticas definidas, Betinho jamais permitiu que a campanha contra a fome fosse utilizada em benefício de qualquer partido", acrescentou. "Com isto, conquistou o apoio de todos os setores da sociedade". É bom a gente disputar outros campeonatos de vez em quando. Melhores do
77776 que aqueles a que estamos habituados, como o de pior quadro de miséria, ou
77776 de distribuição de renda, compara Herbert de Souza, comentando sua indicação para o Prêmio Nobel da Paz. "A questão da fome e da luta contra a miséria é mundial, e o Prêmio Nobel ajudaria muito na campanha", reconhece. Embora preferisse "ser indicado pela sociedade civil", Betinho diz que o importante é a lembrança de seu nome por ser o coordenador da campanha contra a fome e a miséria. Mas Betinho acha que a indicação para o Nobel deveria recair sobre nomes nos quais vê mais méritos. Se a escolha fosse sua, apontaria o cardeal de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. "Ele desempenhou um papel fundamental no tempo da ditadura, e continua essa luta até hoje", elogia. "Ele é merecedor desse prêmio muito mais do que eu". Betinho prevê uma disputa dura pelo Nobel da Paz. Ele diz que, no momento, não saberia o que fazer com os quase US$500 mil que a Academia de Ciências da Suécia concede aos ganhadores do Nobel. Se for o vencedor, reunirá amigos para decidir o que fazer com o prêmio. "Não quero perder noites de sono. Nunca tive esse tipo de problema: ter dinheiro", garante Betinho (GM) (O Dia) (JC) (FSP) (O ESP) (JB).