O Brasil vai testar este ano, pela primeira vez, um produto que poderá vir a ser usado como vacina preventiva contra o vírus da AIDS, anunciou ontem Lair Guerra de Macedo Rodrigues, coordenadora-geral do Programa Nacional de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS. Segundo ela, o produto a ser aplicado em 24 voluntários brasileiros-- 12 do Rio de Janeiro e 12 de Minas Gerais-- é fabricado pela empresa norte-americana United Biomedical Incorporation (UBI) e foi recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro entrou ontem com uma representação no Ministério Público federal contra a realização de testes de vacinas anti-AIDS em brasileiros. Segundo o vice-presidente do sindicato, Jorge Darze, os testes, que podem começar ainda este ano, significam um risco para a população. Ele alega que os vírus da AIDS encontrados no Brasil apresentam diferenças em relação aos existentes nos EUA e na Europa, onde são fabricadas as vacinas. Um preservativo não deveria custar mais do que um cafezinho, segundoo epidemiologista Peter Lamptey, PhD em Saúde Pública pela Universidade de Harvard, que vei dar assessoria em programas brasileiros de combate à AIDS. A "camisinha" é vendida no Brasil por US$1, enquanto nos EUA custa no máximo 15 cents. Para Lamptey, o preço inviabiliza a prevenção da doença (O Globo) (JB).