A violência no Estado do Rio de Janeiro resultou, apenas na Baixada Fluminense, em 1.900 homicídios em 1993-- média de 5,2 assassinatos diários. A estatística estimulou o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Ib Teixeira a comparar os homicídios no Rio em um período de sete anos com conflitos mundiais, como o da guerra do Vietnã. O resultado foi surpreendente. Foram registrados 70.061 assassinatos entre 1985 e 1991, enquanto a guerra do Vietnã matou 56 mil norte-americanos e a guerrilha do Sendero Luminoso, no Peru, causou 25 mil mortos, também em período de sete anos. Em 1990, disse Ib Teixeira, foram registrados 20 homicídios diários no Estado do Rio de Janeiro, ou seja, quase uma morte a cada hora. Para o pesquisador, a violência exibida pelas emissoras de televisão não pode ser desprezada como um dos fatores de estímulo, porque apenas em dezembro os filmes projetados nos horários nobres apresentaram 386 agressões, 94 homicídios, 31 sequ"estros, 15 estupros e 74 direções perigosas. A solução do problema, apesar de sua complexidade, afirmou Ib Teixeira, é uma presença mais forte do Estado no cumprimento de suas funções sociais, entre as quais a educação, saúde e segurança. Isso, garante, faria com que a população pudesse respeitar o poder institucional e, como consequ"ência, cumprir os codigos legais (JC).