ARGENTINA ESPERA ENTRAR NO NAFTA

O chanceler Guido Di Tella disse ontem, em Washington (EUA), que a Argentina espera estar entre "os dois, três ou mais países" da América Latina a serem convidados, ainda neste ano, para incorporar-se ao NAFTA. A pretensão argentina não significa, porém, uma adesão incondicional ao acordo e nem uma "capitis diminutio" de sua participação no MERCOSUL, segundo o chanceler. "Estamos esperançosos de ser convidados para uma negociação e nessa negociação veremos o que acontece", disse. Nas relações entre Argentina e EUA existem, ainda, pontos de contradição. A Argentina, por exemplo, pretende adquirir aviões militares norte- americanos providos de radares e o governo dos EUA não autorizou a importação, aparentemente por causa de um veto da Inglaterra, temerosa de ataques aéreos às ilhas Malvinas. A Argentina também não adotou até agora uma lei de patentes que atenda às exigências da indústria farmacêutica norte-americana. O intercâmbio comercial entre os dois países, no período de janeiro- setembro de 1993, acumulava superávit de US$1,719 bilhão, com a Argentina exportando US$885 milhões e importando US$2,604 bilhões. Embora considere que NAFTA e MERCOSUL não são incompatíveis, Di Tella admitiu que ambos os acordos têm mecanismos e procedimentos que podem dificultar uma incorporação do MERCOSUL, como um todo-- incluídos Brasil, Paraguai e Uruguai--, ao pacto de livre comércio entre EUA, Canadá e México. Entre esses obstáculos, citou a tarifa externa comum a ser adotada pelo MERCOSUL nas suas relações com terceiros países, cláusula que não existe no acordo do NAFTA (GM).