O Brasil tem estado no centro de pelo menos duas polêmicas no MERCOSUL: sobre custos trabalhistas, considerados inferiores aos de seus sócios, e sobre custos energéticos, também menores que os computados pela Argentina. O salário-mínimo brasileiro oscila entre US$60 e US$70, enquanto o argentino está na faixa de US$200. Os negociadores brasileiros argumentam que os direitos trabalhistas no Brasil são mais avançados e que também representam ônus a definição dos preços dos produtos. Tem ficado cada vez mais claro aos responsáveis pelo MERCOSUL que não será possível harmonizar os salários. Uma comissão do sub-grupo 11, que trata das relações de trabalho, está cuidando especificamente da aplicação de uma fórmula para calcular os custos trabalhistas, que será usada nos diferentes setores da indústria, como o siderúrgico e o calçadista. "O objetivo é medir os custos trabalhistas no MERCOSUL e o seu peso no preço do produto final", explicou uma fonte diplomática. Brasil e Argentina também polemizam sobre os custos da energia. Um recente estudo revela que a tarifa mais alta no momento é a da Província de Buenos Aires-- 77,5 milésimos de dólar por quilowatt/hora para consumidores que contratam até 10 mil kW por mês, como é o caso das grandes indústrias. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, o preço é de 48 milésimos de dólar. Brasil e Argentina deverão criar duas novas comissões-- para assuntos econômicos e comerciais e para assuntos de integração e cooperação. Além disso, estudarão outras formas de aumentar os contatos entre parlamentares, acadêmicos e empresários (GM).