COMUNIDADE BRASILEIRA EM NOVA IORQUE É TEMA DE ESTUDO

A antropóloga norte-americana Maxine Margolis, "brasilianista" formada em Columbia, acaba de publicar o livro "Little Brazil", um estudo sobre a comunidade brasileira que vive em Nova Iorque (EUA), estimada em cerca de 80 mil pessoas, a maioria "refugiados econômicos" da crise dos anos 80. Mais de 250 brasileiros foram meticulosamente entrevistados por Margolis até que ela chegasse ao perfil da comunidade. O retrato que emerge desse trabalho tem contornos chocantes: ao fugir da crise que esmaga a classe média, os brasileiros viraram classe operária nos EUA. Embora 59% das mulheres que emigraram tivessem chegado à universidade, 56% delas trabalham em Nova Iorque como empregadas domésticas. Entre os homens, embora só 4% tenham parado na educação primária, a quase totalidade realiza trabalhos braçais, empregados em restaurantes ou na construção civil. Exaustos após jornadas de trabalho de 10, 12 ou até 15 horas e amedrontados com a fiscalização da imigração, os brasileiros têm pouca disponibilidade para a vida social em Nova Iorque. Daí, segundo Margolis, a "comunidade invisível". Os brasileiros não têm estabelecimentos comerciais que dêem sua cara à cidade. O monopólio dos brasileiros está em ocupações que eles mesmos renegam: engraxate e dançarina de cabaré. Os principais empregos de brasileiros em Nova Iorque são: HOMENS-- empregado em restaurante (30%), motorista (9%), operário da construção civil (9%), camelô (6%), engraxate (5,5%), faxineiro (5,5%), mensageiro (4,5%), barbeiro (4,5%) e outros (26%). MULHERES-- empregada (56%), "colarinho-branco" (9%), empregada em restaurante (7%), camelô (5%), manicure/cabelereira (4%), costureira (4%), professora (3%), go-go dancer (3%) e outros (9%) (FSP).