A Anistia Internacional divulgou ontem um relatório em que acusa o Exército mexicano de torturas, assassinatos, detenções arbitrárias, bombardeiros indiscriminados contra civis e outras violações dos direitos humanos durante a tentativa de reprimir a rebelião da guerrilha indígena Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), iniciada dia 1o. no Estado de Chiapas (sudeste do país). O relatório diz que uma equipe da AI visitou Chiapas entre os dias 18 e 22 e constatou "dezenas de casos de tortura, pelo menos nove execuções extrajudiciais, dois estupros, 15 supostos assassinatos, 11 desaparecimentos e dezenas de prisões arbitrárias". A equipe da AI entrevistou 70 índios e camponeses presos na penitenciária de Cerro Hueco, em Tuxla Gutiérrez, a capital de Chiapas. "A maioria havia sido mantida incomunicável e sem tratamento médico por vários dias, depois de submetidos a torturas e maus-tratos para revelar informações sobre a guerrilha", diz o relatório. Segundo o governo, 105 pessoas morreram nos combates que se seguiram à tomada de seis cidades da região pelo EZLN. A Comissão Nacional de Direitos Humanos diz que 127 pessoas estão "desaparecidas" e que encontrou 11 corpos numa vala comum (FSP).