O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) opôs-se formalmente à concessão de um contrato de construção de uma estrada na Bolívia à Construtora Norberto Odebrecht. O banco financiará 50% do projeto, orçado em US$198 milhões. O BID também apoiou decisão das autoridades bolivianas que desqualificou proposta de um consórcio formado por duas outras empreiteiras brasileiras, Queiroz Galvão e Paranapanema. A opinião do BID, imposta por cláusula contratual e solicitada pelo governo boliviano, abre caminho para que o projeto fique com outra construtora brasileira, a Andrade Gutierrez. Associada a uma empresa local, a Andrade Gutierrez venceu a licitação nos últimos dias do governo Paz Zamora, em julho de 1993. Mas, como apresentara o segundo melhor preço (US$86 milhões, US$3 milhões mais que a oferta da Queiroz Galvão- Paranapanema), a escolha da Andrade Gutierrez levantou suspeitas e levou o governo de Gonzalo Sanches de Lozada a reabrir a concorrência. A partir daí, a briga das empreiteiras brasileiras pela obra transformou- se num festival de propinas a políticos e altos funcionários bolivianos, o que levou o governo a pedir a interferência do BID. As empresas prejudicadas pela decisão do banco poderão recorrer. O BID ameaça cancelar o crédito se o impasse for prolongado (O ESP).