Cinqu"enta nações deverão votar hoje um novo acordo comercial para a madeira. O tratado cobre apenas as madeiras tropicais e não envolve a madeira extraída das florestas temperadas, disseram fontes das Nações Unidas à agência de notícias "Reuters". O novo acordo, que sucede o Acordo Internacional de Madeira Tropical (ITTA) de 1993, deverá entrar em vigor em fevereiro de 1995. Seu alcance será revisto após quatro anos. Os países produtores de madeira tropical, incluindo Malásia, Indonésia e Brasil, comprometeram-se a realizar esforços no sentido de atingir a meta de exportar apenas as madeiras extraídas de florestas com manejo sustentado até o ano 2000. Contudo, nenhuma cota de exportação foi determinada, desapontando os principais grupos ambientalistas, como o Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Os países consumidores de madeira, entre eles EUA e Japão, concordaram em formar um "Fundo de Bali", ajuda financeira para que os países produtores possam fazer os investimentos necessários aos novos acordos de conservação. O compromisso de estados produtores e consumidores foi firmado após três semanas de negociações em Genebra (Suíça), sob a orientação da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Comércio (UNCTAD). O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) vai adotar internamente as decisões do novo acordo internacional de madeiras tropicais. "A solução final foi adequada", comentou o ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, Rubens Ricúpero, referindo-se ao compromisso assumido pelos produtores de madeiras temperadas e boreias de, a partir do ano 2000, exportarem madeiras provenientes de florestas com manejo sustentado, de forma semelhante às regras válidas para os produtores de madeiras tropicais. Ricúpero afirmou também que seu ministério tem interesse nas novas normas para as exportações de madeira, sobretudo para preservar o mogno, que vem sendo explorado clandestinamente até em parques nacionais. "Vamos trabalhar com o setor mais sério da indústria madeireira para coibir isso", prometeu. O Brasil detém 30% das florestas naturais mundiais (GM).