Os recursos do Fundo Social de Emergência, que deveriam financiar, principalmente, despesas de saúde, educação e saneamento nos estados e municípios estão sendo destinados, em sua maior parte, ao pagamento de pessoal e gastos que dificilmente se enquadram no que o ministro Fernando Henrique Cardoso prometeu a governadores e prefeitos ao justificar a criação do fundo e os cortes nas transferências da União para estados e municípios. Dos US$16,1 bilhões que constituirão o FSE, de acordo com a proposta orçamentária do governo, US$8,2 bilhões, ou 51,8% do total, serão usados para pagar o funcionalismo público. Só os encargos previdenciários da União-- o dinheiro necessário ao pagamento dos inativos e pensionistas do governo federal-- absorverão US$4,2 bilhões. O que mais chamou a atenção das assessorias técnicas dos partidos foram, contudo, os US$1,2 bilhão para outras despesas de custeio e investimentos. Nesta categoria está incluído, por exemplo, o programa de desenvolvimento do caça AMX, que receberá US$40 milhões e o desenvolvimento de projetos especiais e protótipos da Marinha com outros US$67 milhões do Fundo Social de Emergência. O fardamento militar, reaparelhamento e desenvolvimento de pesquisas pelas Forças Armadas concumirão cerca de US$800 milhões do FSE (JB).