O ex-presidente Fernando Collor de Mello vai passar os próximos 30 dias no exterior. Segundo o roteiro de viagem entregue ontem pelo advogado Fernando Neves ao presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Sepúlveda Pertence, o ex-presidente inicia sua viagem neste final de semana, passando primeiro por Cuba, onde será hóspede de Fidel Castro- - com quem continua mantendo estreitas relações, mesmo após ter deixado o Palácio do Planalto--, seguindo, depois, para Paris, na França. Cumprindo o que determina o artigo 369 do Código de Processo Penal, Collor informou ontem ao presidente do Supremo todos os endereços nos quais poderá ser encontrado nos próximos 30 dias. De acordo com esse artigo, os réus de ações penais não podem se ausentar do domicílio por mais de oito dias sem o conhecimento da autoridade coatora-- no caso, o Supremo, no qual Collor responde a processo. Essa é a primeira vez que o ex-presidente deixa o país desde que foi denunciado por crime de corrupção passiva e improbidade administrativa. Se Collor não retornar no prazo de 30 dias, será considerado foragido, e, como ocorreu com o empresário Paulo César Farias, o PC, o processo prosseguirá à sua revelia. Assim que recebeu o comunicado do advogado Fernando Neves, o ministro Sepúlveda Pertence fez o despacho dando conhecimento do fato e determinando a comunicação ao Departamento da Polícia Federal para que não surjam empecilhos por ocasião da saída e entrada do ex-presidente no país. Em Cuba, o ex-presidente e sua mulher Rosane ficarão hospedados na Casa de Hóspedes do governo cubano, na Playa Varadero, a convite do presidente Fidel Castro. Na França, Collor vai dividir seus dias entre o apartamento localizado na Avenue Montaigne, 1, em Paris, e o da Vila Bugas, em Saint- Jena Cap Ferrat. As duas propriedades pertencem à família de sua primeira mulher, a socialite carioca Lilibeth Monteiro de Carvalho (O ESP) (O Globo).