A reunião de produtores e consumidores de madeiras tropicais, em Genebra (Suíça), para decidir o futuro da organização internacional que administra o acordo de 1993, poderá se estender além de hoje, prazo previsto para o término dos trabalhos. Segundo informações do diplomata Sérgio Moreira Lima, chefe da delegação brasileira, as negociações continuam difíceis e o que se espera é a criação de um fundo para apoiar o manejo sustentado das florestas tropicais nos países produtores, com recursos dos consumidores, como EUA, Japão e União Européia (UE). A posição brasileira, comentou Moreira Lima, é pressionar para um acordo equilibrado em que o ônus do manejo sustentado não recaia somente sobre os países produtores, como Brasil, Malásia, Gana, Indonésia e Gabão. Queremos preservar, dentro do possível, o espírito da Conferência da
77635 ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92), disse o diplomata. Até ontem, as negociações estavam sendo conduzidas no sentido de preservar a organização internacional e de modificar parte do acordo. Como o acordo internacional expira em março, a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) convocou a reunião internacional de Genebra, para negociar um instrumento sucessor das regras atuais, consideradas defasadas em relação às novas exigências da Eco-92 de que o desenvolvimento econômico se dê em bases sustentadas. Os países produtores querem que o manejo sustentado seja executado também pelos países consumidores, que produzem outros tipos de madeira-- temperadas e boreais. O Brasil quer evitar a discriminação contra suas exportações de madeiras por motivos ambientais (GM).