AMBIENTALISTAS PROTESTAM CONTRA UTILIZAÇÃO DE IPÊ AMAZÔNICO

A utilização do ipê amazônico e do okoumé africano na construção da grande biblioteca francesa (Trés Grande Bibliotéque) vem sendo fortemente contestada pela associação de proteção do homem e do meio ambiente, Robin des Bois, que conta com o apoio de outros grupos similares. Além dos reiterados pedidos enviados às autoridades competentes para que essas madeiras tropicais sejam substituídas por outros materiais no projeto do edifício, os ecologistas franceses começaram a realizar atos de protesto como lambuzar de tinta vermelha uma escada feita de ipê no local da biblioteca, bloquear durante duas horas o descarregamento de uma das remessas da madeira brasileira (as entregas se farão espaçadamente até junho próximo) ou ainda pregar uma enorme faixa (de 15 metros de largura) dizendo "Ministério da Madeira Tropical" na fachada do Ministério de Cultura e dos Grandes Trabalhos. Segundo os representantes da associação Robin des Bois é uma atrocidade o governo francês não impedir o corte de cerca de 600 ipês amazônicos quando ainda não foi feita a identificação dessa espécie da flora tropical pelos botânicos. "Mais de cinco mil hectares de floresta da região de Manaus, no coração da Amazônia, já foram sem dúvida degradados pela busca, derrubada e transporte do ipê para a Trés Grande Biblioteque", diz a entidade ambientalista. O governo, por sua vez, alega que serão necessários apenas 5,6 mil metros cúbicos do ipê para revestir a grande explanada externa do prédio e que este volume é pequeno se comparado aos 50 mil metros cúbicos de ipê e aos 245 milhões de metros cúbicos de madeiras tropicais exportadas anualmente pelo Brasil (GM).