OS CREDORES DEVEM GERIR AS RESERVAS CAMBIAIS

O Banco Central prepara-se para mudar a gestão das reservas cambiais, a partir do desfecho do acordo de reestruturação da dívida externa junto aos bancos comerciais, marcado para abril próximo. A intenção do BC, segundo o diretor da área externa, Gustavo Franco, é transferir a administração das aplicações das reservas cambiais, que já ultrapassam a casa dos US$31 bilhões, para instituições financeiras internacionais de primeira linha. Significa que em abril deverá iniciar- se, assim, um processo de transferência das reservas do Banco para Compensações Internacionais (BIS), com sede na Basiléia (Suíça), para o sistema bancário privado, num modelo de "terceirização" dessas aplicações, como qualificou o diretor. As reservas cambiais estão aplicadas no BIS desde 1987, quando foi decretada a moratória da dívida externa, porque nessa instituição elas estavam livres de arresto por parte dos credores. Por precauçãou, só serão transferidas para instituições financeiras privadas após a troca de títulos da dívida velha por bônus da dívida reestruturada, o que está marcado para abril. No BIS, as reservas sofreram perdas de remuneração, ao longo desses anos, mas o diretor do BC garante que essas perdas não foram superiores a um ponto percentual ao ano-- que seria a diferença entre a remuneração das aplicações no mercado financeiro, de Libor (taxa interbancária de Londres) mais cerca de meio ponto percentual, e as do BIS, que é de Libor menos algo próximo a meio ponto percentual. Com a decisão, de "partirmos, em abril, para uma nova experiência" na gestão das reservas cambiais, o BC deverá fazer uma seleção das instituições financeiras de primeira linha, para escolher com quais ficarão as reservas brasileiras (GM).