FUNAI COMEÇA CADASTRO APÓS PROBLEMA COM ONG HOLANDESA

A Fundação Nacional do Índio (FUNA) iniciou esta semana levantamento das Organizações Não-Governamentais (ONGs) e missões estrangeiras que atuam junto à comunidade indígena em toda a Amazônia. As atividades desenvolvidas por essas entidades não têm qualquer acompanhamento por parte da FUNAI, que não sabe sequer o número de pessoas que entram e saem das reservas. A FUNAI encaminhou às entidades um questionário para que seja respondido no menor espaço de tempo possível. A medida foi provocada por problemas ocorridos entre a FUNAI e a ONG holandesa Médicos sem Fronteiras nas áreas dos yanomamis e makuxis. A falta de controle e acompanhamento pela FUNAI levou o presidente da Fundação, Dinarte Nobre de Madeiro, a proibir a entrada dos médicos nas reservas. Dinarte recebeu uma cópia do contrato de trabalho da ONG, que impede, em uma de suas cláusulas, que o funcionário leve ao conhecimento externo as atividades secretas da entidade não-governamental. A ONG está em Roraima desde 1992. Uma equipe de seis pessoas combate a incidência de calazar (doença tropical ou leishmaniose) nas áreas makuxi e yanomami, além de formar mão-de-obra indígena como auxiliar de enfermagem. Em 1992, essa organização investiu US$300 mil nesse trabalho. A médica Juliana Voicu, coordenadora da ONG, disse que o contrato foi mal traduzido para o português e, na verdade, a cláusula quer dizer que nenhum funcionário tem permissão para dar entrevistas ou comentar o trabalho dos médicos para outras ONGs (O Globo).