Segundo as informações, um escritório no Rio de Janeiro, que tem a frente o advogado e ex-deputado federal Jorge Cury (ex-PMDB e ingresso no PDT) e seu filho Sérgio Roberto, é a central de fraudes na Previdência Social que somam mais de Cz$10 bilhões. Através de artimanha jurídica, milhares de aposentados (a maioria ferroviários e marítimos) e a União vêm sendo lesados em 20 mil ações ordinárias de complementação de aposentadoria, que tramitam na 9a. Vara Federal do Rio de Janeiro. A manobra é a seguinte: para livrar-se do julgamento do mérito e escapar do direito de reclusão à instância superior, o advogado Jorge Cury e seu filho apresentam à Justiça um valor inferior às causas, de alçada do Juízo. Posteriormente, com a sentença transitada em julgado-- a 9a. Vara Federal dá ganho de causa em todas-- e valendo-se da subrogação de direitos estabelecida no contrato assinado pelos 20 mil aposentados, o ex-parlamentar ingressa com medida administrativa junto à Rede Ferroviária, em que reclama a diferença do pagamento. A partir dai os aposentados são levados a pagar 30% de honorários e mais o Imposto de Renda-- constantes do contrato-- e ainda 20% de honorários arbitrados pelo juiz Silvério Cabral. Não tenho culpa se os advogados do INPS, da Rede Ferroviária e da União
7762 sejam incompetentes e não contestem o valor das ações. ""Nossos procedimentos são legais", disse Jorge Cury. "O INOS tem perdido todas as ações na 9a. Vara Federal, enquanto nas demais varas isso não ocorre de forma tão determinada", revelou o procurador-geral do INPS, Aldo Lins e Silva (JC).