CARGA TRIBUTÁRIA SOBRE ALIMENTOS É DE 32,7%

O consumidor brasileiro paga os impostos mais elevados do mundo até mesmo em produtos essenciais. Enquanto a média internacional de carga tributária incidente sobre os alimentos industrializados é de 7%, no Brasil esse índice atinge 32,7%, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). Num país onde boa parcela da população passa fome, é um verdadeiro
77613 absurdo essa carga de impostos sobre os alimentos, comenta o presidente da Abia, Edmundo Klotz. Ele lembra que até o automóvel está hoje com imposto inferio, de 17% no caso dos modelos populares. São 15 impostos que incidem sobre o preço final do alimento, além de taxas e contribuições. Para o presidente da Abia, uma redução da carga tributária incidente sobre o alimento representaria uma melhoria de vida para os assalariados, principalmente os situados na faixa de um a três salários-mínimos, que gastam 60% do que recebem em alimentação. "Ao consumir CR$10 mil em alimento, o brasileiro paga CR$3.270,00 para o governo em forma de impostos", explica Klotz. "Se essa carga fosse menor, sobraria mais para ele gastar em outras coisas", disse. O país que tem carga tributária mais próxima à do Brasil em alimentos é Portugal, com apenas 8%. A carga de 32,7% representa a média de impostos incidentes sobre os alimentos industrializados no país. Há casos dessa taxa chegar a 51,3%, como acontece com o molho de tomate. Também nos outros setores o Brasil é o campeão mundial em impostos. Quando compra um brinquedo de CR$5 mil, por exemplo, o brasileiro está repassando CR$2 mil-- ou 40%-- para o governo. O peso da carga tributária brasileira sobre o preço final do produto chega a 53,8% num aparelho de som e é de 30% no caso de um refrigerador (O ESP).