No exercício de 1992, as cinco maiores estatais brasileiras deixaram de repassar à União US$1,848 bilhão em dividendos. Dos US$2,081 bilhões estimados pelo governo, as empresas repassaram ao Tesouro apenas US$233 milhões (ou 11,2% do previsto). Os dados são de um estudo do DEST (Departamento de Coordenação das Empresas Estatais), órgão do Ministério do Planejamento. A maior diferença entre o retorno esperado pelo governo e o dividendo proposto ficou com a ELETROBRÁS: US$1,203 bilhão contra US$52 milhões, o que representa apenas 4,32% da expectativa inicial. A estimativa de retorno, segundo critério do DEST, considera a hipótese de rentabilidade das empresas de 6% ao ano sobre o Patrimônmio Líquido de cada uma. Outras "devedoras" no repasse de dividendos são a CVRD (Companhia Vale do Rio Doce), PETROBRÁS, TELEBRÁS e o Banco do Brasil. Somadas, as cinco empresas têm um patrimônio líquido de US$74,409 bilhões e um lucro líquido (em 92) de US$2,055 milhões. Proporcionalmente, quem menos pagou os dividendos esperados foi a ELETROBRÁS (4,32%) e quem mais pagou foi o Banco do Brasil (30,56%). Dividendo é a parte do lucro líquido que as empresas devem distribuir entre seus acionistas. A cobrança destes dividendos, segundo o ministro Alexis Stepanenko (Planejamento), faz parte da chamada política de resultados que o governo pretende exigir de suas estatais (FSP).