A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) começou a reavaliar as ações desenvolvidas nas área indígenas de Roraima pelas Organizações Não- Governamentais (ONGs) e missões religiosas. A FUNAI é responsável pela autorização de funcionamento das ONGs nacionais e estrangeiras nas reservas, mas não acompanha o trabalho dessas entidades. Segundo admite o presidente da FUNAI, Dinarte Nobre de Madeiro, "há necessidade da orientação e controle para que não ocorram falhas operacionais nas questões de saúde e cultural dos índios". Madeiro pretende levantar, por meio de um questionário, as atividades e o número de pessoas que atuam na reservas. Em Roraima há oito etnias que somam 35 mil indígenas. Conforme o jornal O Estado de São Paulo revelou em novembro, as 53 organizações religiosas que atuam na Amazônia não têm autorização da FUNAI há pelo menos dois anos para prestar assistência nas aldeias indígenas. Para cada funcionário da FUNAI nas aldeias existem quatro religiosos, ou um missionário para cada 52 índios. Além disso, só em Roraima, trabalham as ONGs: Comissão para a Criação do Parque Yanomami (CCPY), Novas Tribos do Brasil, Médicos do Mundo e Médicos Sem Fronteira. Recentemente, representantes da organização Médicos Sem Fronteira foram proibidos pela FUNAI de entrar nas aldeias macuxis e yanomamis por dez dias, após a descoberta de um documento de contrato de trabalho em que uma das cláusulas proibia qualquer funcionário de divulgar as atividades da ONG. A coordenadora da MSF, Juliana Voici esclareceu ao presidente da FUNAI que o documento foi mal traduzido para o português. "Na verdade nós proibimos que funcionários divulguem para a imprensa ou para as outras ONGs o nosso trabalho", disse. Para Madeiro, é estranho o comportamento da ONG. A reavaliação das atividades das missões religiosas e organizações não- governamentais (ONGs) em Roraima conta com o apoio da Associação dos Povos Indígenas de Roraima (APIR), Fundação Nacional de Saúde (FNS), Núcleo Institucional de Saúde indígena e Diocese de Roraima. Para o presidente da APIR, Alfredo Silva, os povos indígenas do Brasil têm sido alvo de interesses diversos por parte de ONGs estrangeiras e missões religiosas (O ESP).