Em 1993, o Brasil desperdiçou 18% da produção nacional de grãos-- cerca de 12,6 milhões de toneladas de arroz, feijão, trigo e milho, entre outros, foram "jogados fora". A informação faz parte de um levantamento preliminar do Ministério da Agricultura e divulgado ontem pelo ministro interino, Alberto Duque Portugal. Além de desperdiçar, o Brasil ainda importou grãos: 700 mil toneladas de arroz, 1,5 milhão de milho e 5,5 milhões de trigo. Segundo Portugal, a última vez que o governo teve que recorrer ao mercado externo para comprar arroz, por exemplo, foi em 1986, no Plano Cruzado. Independentemente do desempenho da economia, o ministro prevê que o governo ainda terá que importar grãos este ano. Números revelados pelo jornal Folha de São Paulo, mostram que anualmente o Brasil perde, entre a colheita e a armazenagem, 23,8 milhões de toneladas de alimentos avaliados em US$5,4 bilhões e suficiente para alimentar 9,2 milhões de famílias indigentes do país por dois anos. Mesmo ainda não efetivado no cargo, o ministro interino encaminhou ao presidente Itamar Franco um plano de ação para o setor, incluindo uma proposta de privatização dos armazéns do governo. Parte do desperdício da produção brasileira, segundo Portugal, deve-se ao mau armazenamento. O transporte inadequado também provoca perdas (FSP).