O ministro-chefe da Secretaria de Administração Federal, Romildo Canhim, entregou ontem ao presidente Itamar Franco um relatório parcial sobre os salários e vantagens pagos pelas empresas estatais, o qual revela que a remuneração média dos cargos de chefia na data-base, em 13 das empresas abrangidas, ultrapassa em muito a casa dos US$4 mil por mês-- quase CR$1,4 milhão, pelo dólar comercial. Na ELETROBRÁS, que lidera o ranking das empresas com abusos na política salarial, a média se situa em US$4.723,77-- ou mais de CR$1,640 milhão por mês. O relatório-- parte de um levantamento que alcançará 111 empresas, 74 autarquias e 42 fundações-- mostra que o salário efetivo em alguns casos constitui apenas 17% da remuneração das chefias, como no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), mas é multiplicado através de um sistema de gratificações cumulativas, algumas instituídas com imaginação e criatividade, graças àquilo que Canhim classificou de "descontrole". Na TELERJ e na TELESP, os chefes ganham o chamado "adicional por condução de veículos", sob a justificação de que dispensam os serviços dos motoristas (JC).