Pressionada pelo próprio Congresso Nacional, a CPI do Orçamento não vai investigar as 394 emendas "piratas" incluídas no Orçamento de 1992 em nome de 127 deputados e senadores, depois que a lei já tinha sido aprovada em plenário. O relator da CPI, deputado Roberto Magalhães (PFL-PE), garantiu a colegas citados na lista que não vai dar atenção ao caso no relatório final. "Já me informei com o relator e soube que isso não vai nem passar perto do relatório", disse o deputado Nestor Duarte (PMDB-BA), apontado como autor de uma das emendas clandestinas de 92. A decisão de não prosseguir na apuração das irregularidades ocorridas no Orçamento de 92 é justificada pelo fato de a CPI estar perto do fim. Os partidos majoritários no Congresso Nacional, como o PFL e PPR, não estão dispostos a conceder novos prazos para que as emendas "piratas" sejam esclarecidas. A maioria dos integrantes não quer que as investigações continuem apliando o número de envolvidos no escândalo. Magalhães admitiu ontem que a comissão não está conseguindo avançar nas investigações sobre a ligação de parlamentares e empreiteiras. Muitos integrantes da CPI estão irritados com o número de políticos que têm saído dos depoimentos inocentados porque não houve tempo para obter provas contra eles. O presidente da CPI, senador Jarbas Passarinho (PPR- PA), se irritou ontem com os que defenderam novas mudanças na pauta de depoimentos. "Estamos com 80 dias de trabalhos", disse. "Eu não posso é dirigir um exército de brancaleones" (O ESP).