EX-MINISTRA CONFIRMA CORRUPÇÃO

A ex-ministra da Ação Social Margarida Procópio confirmou ontem, em depoimento à CPI do Orçamento, a existência de listas preparadas por integrantes da Comissão de Orçamento do Congresso Nacional com as entidades escolhidas para receber verbas de subvenção social. O depoimento da ex-ministra é a primeira confirmação obtida pela CPI sobre a existência dessas listas, que por si só garantiam a liberação das subvenções, embora não tivessem valor oficial e fossem preparadas pelos integrantes da máfia instalada na Comissão de Orçamento, à revelia dos outros parlamentares. Em seu depoimento, Margarida Procópio disse que a liberação das subvenções, por meio das listas da Comissão de Orçamento, já era uma praxe no governo quando ela assumiu o Ministério da Ação Social. Segundo declarou à CPI, a ex-ministra tomou conhecimento da prática por informações da ex-coordenadora de Orçamento e Finanças do Ministério Yolanda Brasil, que foi apontada pelo ex-assessor do Senado José Carlos Alves dos Santos como um dos contatos, no Executivo, do esquema de desvio das subvenções montado pelo deputado João Alves (sem partido-BA). Margarida disse à CPI não ter certeza sobre qual era o parlamentar responsável pelo envio ao MInistério da Ação Social das listas-- que não mencionavam os nomes dos deputados e senadores interessados nas liberações das subvenções para as entidades incluídas nas relações. "Eu autorizava a liberação porque fui informada de que era uma prática tradicional", afirmou. A CPI tem informções de que João Alves era o responsável pelas listas. Em seu depoimento, a ex-ministra demonstrou, várias vezes, que não tinha um controle das liberações de subvenções feitas pelo Ministério da Ação Social. Ela declarou-se surpreendida com o fato de a Prefeitura de Itarantim (BA) ter sido contemplada, em julho de 1991, com uma subvenção no valor de US$2,6 milhões, que, em parte, foi parar nas contas bancárias do doleiro Trajano Tristão de Macedo e de Maria Lídia, empregada doméstica de João Alves (JC).