CAVALLO CRITICA A POLÍTICA DE EXPORTAÇÕES DO BRASIL

O modelo de economia de exportação que a Argentina adotou se baseia na elevada qualidade de seus produtos, em contraposição ao sistema brasileiro, que vende excedentes do mercado interno a qualquer preço, disse o ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo. O ministro referiu-se à política brasileira de exportação como uma forma de mostrar um exemplo contrário ao modelo que se quer instalar na Argentina. Em declarações ao semanário "Noticias", de Buenos Aires, Cavallo citou a reativação das exportações argentinas, especialmente de máquinas operatrizes de alta qualidade, que em 1993 cresceram 22% sobre o nível do ano anterior. Essa é a prova do êxito argentino e não do tipo de exportações como as
77486 que o Brasil tem hoje ou como as que a Argentina tinha nas épocas de
77486 recessão, afirmou. Sempre se referindo ao Brasil como uma imagem que se contrapõe à da Argentina, o ministro disse que, ao se empobrecer, a população reduz o consumo "e o excedente é vendido a qualquer preço". Esse tipo de exportações empobrece o país e, para que haja essas
77486 exportações, são necessários salários baixos e uma política interna de
77486 fome, acrescentou. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, preferiu não comentar as declarações de Domingo Cavallo, mas outras fontes do Itamaraty reagiram de forma crítica, lembrando que é contraditório o que disse, porque os argentinos, então, estariam comprando produtos de baixa qualidade do Brasil ao mesmo tempo que estão melhorando seu poder aquisitivo. "O mercado argentino está precisando de produtos de baixa qualidade?", indagou um diplomata. As declarações de Cavallo foram consideradas como "para uso interno" (GM).