É difícil prever até quando o quadro no MERCOSUL estará favorável para as exportações brasileiras. A União Industrial Argentina (UIA), junto com entidades do setor rural, tem pressionado o governo argentino a adotar medidas protecionistas até que o Brasil estabilize sua inflação. Do contrário, argumentam, permanecem distorções no comércio entre os dois países que acabam tirando a competitividade da indústria local. Empresários brasileiros acham que isso é lobby de quem não se ajustou para a abertura do mercado. Ao protecionismo é atribuída a recente suspensão, pelo governo argentino, da entrada de carne suína e seus derivados procedentes do Brasil desde o último dia 13. O setor exporta para a Argentina US$40 milhões por ano. A essa pressão também é atribuído o aumento da alíquota de importação de alimentos industrializados de 3% para 10% em 1993, mesmo com os acordos realizados no âmbito do MERCOSUL para a diminuição das taxas. Os exportadores brasileiros se queixam também da obrigatoriedade de se mudar a carga do caminhão brasileiro para o argentino na fronteira dos dois países. Encarece o frete em 10%. Para as indústrias brasileiras exportadoras, esse quadro tem pela frente um outro agravante. Recentemente, o governo argentino iniciou programa de redução da carga tributária para indústrias instaladas no país, eliminando alguns impostos como forma de baixar preços e incentivar o aumento da competitividade. Para evitar que essa situação, no médio prazo, acabe inviabilizando suas exportações, muitas das empresas brasileiras com operações na Argentina iniciaram movimento para exportar também suas plantas industriais. É o caso da Brahma, que em 1995 deverá investir US$40 milhões para construir uma fábrica no país. O Brasil fechou 1993 com saldo comercial favorável junto ao MERCOSUL. Mas o superávit, de US$1,2 bilhão, foi maior em 1992 (US$1,6 bilhão). O intercâmbio com a Argentina alcança 80% do total dos US$8 bilhões que o Brasil movimenta anualmente no MERCOSUL. Em 1992 o saldo da balança Brasil- Argentina foi de US$1,1 bilhão, contra os US$800 milhões em 1993. A diminuição deve-se ao aumento das importações brasileiras, principalmente de petróleo, trigo e farinha de trigo. Apesar da diminuição do saldo da balança, as exportações brasileiras para a Argentina vêm crescendo desde 1991, com o programa econômico argentino. A paridade cambial fixa e a recuperação da capacidade salarial beneficiou a entrada de produtos de outros países. Indústrias dos setores têxtil, material para construção e calçados também estão ganhando com a abertura do mercado argentino (FSP).