GUERRILHEIROS ATACAM SEIS CIDADES NO MÉXICO

Um até agora desconhecido grupo guerrilheiro indígena mexicano, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), ocupou seis cidades no Estado de Chiapas (sudeste do México) nos últimos dois dias e declarou guerra ao governo do país e ao NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte, assinado entre EUA, Canadá e México). De 200 a dois mil guerrilheiros participaram da ofensiva. Houve saques, enfrentamento com o Exército e pelo menos 14 militantes foram mortos. O número de vítimas do lado do Exército não foi divulgado. O governo tentou minimizar os conflitos, mas não descarta uma intervenção na região. A cidade de San Cristóbal de las Casas foi o centro do levante. O EZLN ocupou a região por cerca de 30 horas. Um guerrilheiro, que parecia ser o líder do grupo e se disse chamar "Marcos", deu salvo-conduto aos turistas estrangeiros-- entre os quais um número ainda desconhecido de brasileiros. O governo mexicano acha que o levante do EZLN é um fato isolado e um porta-voz disse que a reação oficial deve ser "muito prudente, para não cair na provocação desse grupo". O EZLN diz ter iniciado uma revolução em protesto pelos "abusos das autoridades contra os índios lacadones", que vivem na região. Os lacadones e outras comunidades indígenas de Chiapas têm há muito tempo conflitos com os governos estadual e federal, sempre ligados à questão da terra. Os camponeses indígenas se queixam de ter sido enganados e de que seus costumes estão sendo substituídos pelos costumes ocidentais. Chiapas é o Estado mais atrasado economicamente do México. A presença de um movimento guerrilheiro indígena foi detectada pela primeira vez em maio passado, quando houve um confronto em Ocosingo, entre índios e militares, com saldo de vários mortos. O ataque do último fim- de-semana, no entanto, foi o primeiro caso de violência com indícios de planejamento. O protesto contra o NAFTA se baseia no temor de desemprego com a invasão de produtos agrícolas norte-americanos. O intelectual norte-americano Noam Chomsky, em seu livro "The Prosperous Few and the Restless Many" (Os poucos ricos e os muitos inqueitos), calcula que os 13 milhões de camponeses mexicanos, obrigados a competir com um sistema agrário muito mais moderno, tendem a engrossar o contingente de desempregados nas cidades. O nome Exército Zapatista de Libertação Nacional é homenagem a Emiliano Zapata, líder camponês de esquerda que combateu a ditadura de Porfírio Diaz (1888-1910) e depois uma intervenção militar dos EUA (1916). Aliado de Pancho Villa, principal dirigente da Revolução de 1910, Zapata continuou a luta armada contra os latifundiários mesmo após a vitória do movimento e a posse do presidente Francisco Madero, em 1914. Foi assassinado em 1919 (FSP).