SALÁRIO-MÍNIMO TEVE SEGUNDA PIOR MÉDIA DA HISTÓRIA

O salário-mínimo alcançou em 1993 a segunda pior média da sua história, o nível de desemprego deve ter sido um dos maiores e a massa salarial deve ter chegado apenas 60% da média de 1985. Os dados são do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos) e fizeram o secretário-técnico do instituto, José Maurício Soares, concluir que 1993 entrará para a história como um ano dos mais difíceis para os trabalhadores. A recuperação da economia e a melhora da política salarial oficial não foram suficientes para significar benefícios para a maior parte dos brasileiros. Em novembro, a taxa de desemprego na Grande São Paulo foi de 13,5% (mais de um milhão de desocupados), situação melhor que a de abril, de 16,1%, mas ainda significativamente pior que a de novembro de 1991, no governo Collor de Mello, quando chegou a 10,2%. Em termos de salários, o povo também sofreu muito no ano passado. Em outubro, o rendimento médio mensal da população assalariada valia 63,6% da média de 1985. As perdas foram de 36,4%. Só não foram maiores em razão de acordos entre sindicatos de trabalhadores e vários setores da economia que previam correções acima dos limites impostos pela lei. O DIEESE pesquisou 65 categorias e seus acordos até julho e concluiu que 85% desses sindicatos haviam conquistado mais do que a legislação determinava, 50% tinham já o reajuste mensal de salários e 10%, a recomposição mensal integral de seus ganhos (O ESP).