CRIANÇA OCUPA 18% DO MERCADO DE TRABALHO

Com uma carga de trabalho de 10 horas diárias, Max de Oliveira dos Santos, 12 anos, tem duas ocupações: ajudar a família e divertir-se em máquinas de fliperama. Sem carteira assinada, sem direito a férias e 13o., a vida de Max é apenas um capítulo da história de 1,4 milhão de crianças brasileiras obrigadas a trocar os brinquedos por uma "brincadeira" de adulto: o trabalho. Ele limpa carros num posto de gasolina na Lagoa, zona sul do Rio de Janeiro (capital). Segundo pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a participação do trabalho infantil cresceu no mercado de 6,1% em 1970 para 11% em 1990 entre as crianças. O mesmo ocorreu com os adolescentes de 14 a 17 anos, que tinham um peso de 31,4% e que passaram para 45% em 1990. Este grupo populacional foi o que teve a atividade econômica mais intensificada nos últimos 20 anos. E quanto menor a renda familiar, maior a necessidade da criança ir às ruas disputar uma vaga no mercado, formal ou não. O que importa é chegar em casa com dinheiro no bolso. Infringindo ou não a lei, o fato é que a participação dessa mão-de-obra mirim vem crescendo no mercado de trabalho, o que faz com que o Brasil se afaste cada vez mais da meta estipulada pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), que prevê a eliminação do trabalho infantil no mundo até o ano 2000. Em vez de chegar mais perto dessa meta, o país vem se afastando dela. Como se não bastasse estar longe de atingir a meta da OIT, o Brasil está ganhando da Indochina, Marrocos e Honduras no que diz respeito à participação de crianças e adolescentes no mercado de trabalho. Enquanto aqui a mão-de-obra mirim gira em torno de 18%, na Indochina a taxa é de 11,1%; no Marrocos, 14,3%; e em Honduras, 14,7%. Em países do Primeiro Mundo, as taxas são praticamente zero e às crianças cabe fazer o que é próprio da idade: brincar e estudar. Xerox do Brasil, Companhia Atlantic de Petróleo, PETROBRÁS, Kaiser, Coca- Cola, Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), ELETROBRÁS, BNDES, Klabin e LIGHT são algumas das empresas que estão trabalhando com mão-de-obra infantil. Meninos carentes de 14 a 17 anos, recrutados pela Associação Beneficiente São Martinho e no Círculo de Amigos e Menores Patrulheiros da Mangueira, no Rio de Janeiro, estão tendo sua primeira experiência profissional (JB).