Emprego: um prato cheio. O slogan deverá ser um dos mais repetidos em 1994, o ano da Campanha Nacional do Emprego, que deslancha a partir de janeiro. Até o final do mês, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) finaliza o primeiro mapa do desemprego, que servirá como um dos instrumentos para orientar estratégias da campanha. Liderado pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, o movimento dará sequência à campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida. Funcionará nos mesmos moldes: com mobilização da sociedade e de forma descentralizada. O sucesso da campanha dependerá da articulação entre as centrais sindicais, lideranças empresariais e o próprio Ministério do Trabalho, além da participação da sociedade. O sociólogo rejeita a idéia de que o movimento poderá fracassar, assim como pactos sociais não vingaram: "Esse não é um pacto social, é um pacto de emprego", argumentou em recente entrevista. Betinho já tem pronto um ambicioso plano para criar milhões de novos empregos e vai oferecê-lo ao governo numa audiência neste mês com os ministros Fernando Henrique Cardoso (Fazenda) e Walter Barelli (Trabalho). Ganhamos o primeiro tempo com a campanha contra a fome e agora vamos
77459 ganhar o jogo com a campanha pelo emprego, afirma. Ele vislumbra a luta pelo emprego como a "grande virada" que acabará com a miséria no Brasil, através de uma mobilização ainda maior da sociedade. "Temos que repensar o país, de forma a favorecer a geração de novos empregos", diz. Um dos pontos do plano de Betinho, elaborado após discussões com vários setores, propõe uma redução na carga tributária e a concessão de incentivos aos investimentos que criem novos empregos em 1994. A Campanha Nacional do Emprego já conta com o apoio das centrais sindicais (CUT, CGT e Força Sindical) e entidades como a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ABI (Associação Brasileira de Imprensa), PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais), CNI (Confederação Nacional da Indústria), CNT (Confederação Nacional dos Transportes), FLUPENE (Associação Fluminense da Pequena e Média Empresa), FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), entre outras (JB).