Entrou em vigor ontem o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), que cria uma zona de comércio entre EUA, Canadá e México, mas não um mercado comum, como é o caso da União Européia e do MERCOSUL. O que diferencia os mercados comuns é serem espaços ampliados para a livre circulação de mercadorias, serviços, capitais e mão-de-obra, estabelecerem tarifas externas comuns (para importação de produtos de fora da região) e tenderem à harmonização das políticas econômicas e, até à adoção de moeda única entre seus membros. Como um tratado exclusivamente comercial, o NAFTA visa eliminar progressivamente as barreiras alfandegárias entre EUA, Canadá e México. A partir de agora, 50% dos 300 mil produtos e serviços intercambiados entre os três países têm suas tarifas reduzidas a zero (antes do tratado, a tarifa média flutuava em torno de 12% a 13%); a outra metade sofrerá uma redução gradual, num prazo máximo de 15 anos. Exemplos extremos de produtos cujas tarifas vão levar 15 anos para serem eliminadas-- teoricamente para que as empresas se adaptem à concorrência-- são o milho vendido pelos EUA ao México e, em contrapartida, o amendoim, o açúcar e o suco de laranja mexicanos importados pelos EUA. A questão da imigração continua igual, isto é, os mexicanos não receberão o "green card" (visto de permanência assim que cruzarem o rio Grande (num mercado comum isto seria possível). Mas, de agora em diante, será facilitada a circulação de técnicos, especialistas e profissionais capacitados dos três países por períodos de tempo que corresponderem às necessidades das empresas; antes os prazos de estada eram de dias ou semanas. A partir de 1999, serão suspensas as restrições para caminhões de carga cruzarem as fronteiras dos três países e, no ano 2000, as companhias norte-americanas poderão comprar parte do capital de suas congêneres; três anos depois, poderão adquirir todo o capital das empresas de carga mexicanas. O governo norte-americano gastará US$90 milhões nos próximos 18 meses para treinar e ajudar os trabalhadores que perderem seus postos de trabalho em consequência do NAFTA. Juntos, EUA e México investirão US$450 milhões na criação de um banco de desenvolvimento. Cerca de US$8 bilhões serão aplicados em projetos de limpeza e melhoria ambiental na fronteira dos EUA com o México (JB).