INDIGÊNCIA INFANTO-JUVENIL ATINGE 15 MILHÕES

Quase 15 milhões de crianças e adolescentes, um quarto da população infanto-juvenil do país, pertencem a famílias indigentes, representando hoje quase a metade do total dos brasileiros que vivem na miséria absoluta. Essas são algumas das mais alarmantes constatações do estudo "O mapa da criança II: a indigência entre as crianças e adolescentes", que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) concluiu esta semana, a pedido do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA). Embora a indigência infanto-juvenil exista em todos os estados, no Nordeste o problema se agrava. Os nove estados da região concentram 8,6 milhões de crianças e adolescentes miseráveis, ou 59% do total do país. Em apenas três estados-- Ceará, Bahia e Minas Gerais-- estão cinco milhões de crianças e adolescentes que vivem abaixo da linha da pobreza, ou um terço dos menores miseráveis do Brasil. São 2,1 milhões de menores de 18 anos indigentes na Bahia, 1,5 milhão em Minas Gerais e 1,4 milhão no Ceará. Também é na região Nordeste onde os números relativos da pobreza infanto-juvenil são mais graves. O Piauí é o estado com maior concentração de menores indigentes em relação à população de crianças e adolescentes-- cerca de 61% (820 mil). Ceará e Paraíba vêm a seguir, com metade de sua população infanto-juvenil vivendo na pobreza. O estudo do IPEA constatou que 54%-- cerca de 7,8 milhões-- da população nacional de crianças e adolescentes em situação de extrema pobreza vive em áreas rurais. O Nordeste se destaca mais uma vez, concentrando o maior universo de menores indigentes do país-- 5,2 milhões, que representam mais da metade (56%) da população rural nordestina nessa faixa etária. Ou seja, mais de um terço das crianças e adolescentes miseráveis do país estão em áreas rurais do Nordeste. Na região, a indigência atinge, ainda, 22% dos menores das metrópoles e 35% dos que vivem em áreas urbanas não-metropolitanas. Outro terço da população de menores indigentes do país-- cinco milhões-- está em áreas urbanas não-metropolitanas. A indigência nessas cidades atinge 20% dos menores, quase o dobro da encontrada nas áreas metropolitanas (11%). Em números absolutos, no entanto, é nas áreas metropolitanas da região Sudeste onde está o maior número de crianças e adolescentes miseráveis. São 471 mil no Rio de Janeiro (RJ), 327 mil em São Paulo (SP)_, 283 mil em Recife (PE) e 229 mil em Fortaleza (CE). Na região Sudeste, a fome entre as crianças e adolescentes concentra-se maciçamente nas áreas urbanas. Do total de 3,3 milhões de indigentes, 2,1 milhões vivem nas cidades onde, paradoxalmente, a proporção da miséria infanto-juvenil é a mais baixa do país (10,5%). Ainda de acordo com o trabalho do IPEA, um terço dos 7,9 milhões de menores indigentes do país na faixa de sete a 17 anos não frequ"enta escola, o que aumenta ainda mais sua dificuldade de conseguir emprego e superar a situação de miséria em que se encontra. Do total, 1,6 milhão encontra-se na faixa de sete a 14 anos, na qual a frequ"ência escolar é obrigatória. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, a proporção de indigentes fora da escola supera 60%. Os dados revelam, ainda, que a maioria das crianças e jovens indigentes que não frequ"entam escolas vive em áreas rurais, sendo 1,1 milhão na faixa de sete a 14 anos e 560 mil no grupo de 15 a 17 anos. As porcentagens diminuem nas áreas urbanas e, progressivamente, nas metrópoles, onde variam de 15% (sete a 14 anos) a 49% (15 a 17 anos) (JB).