O ano letivo de 1994 vai começar com cinco milhões de brasileiros em idade escolar fora das salas de aula, resultado do colapso da estratégia educacional do Brasil. O dado consta do trabalho "Educação em Colapso", do economista Ib Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Das cerca de 27 milhões de crianças, entre sete e 14 anos, que procuram a rede pública em busca de vagas, apenas 22 milhões conseguem entrar por causa do déficit de 500 mil salas de aula. Dos que entram, cerca de 15% devem deixar a escola antes de completar o ano letivo. E o que é pior, dos que permanecem, 20% repetem o ano. Isto significa que se pode estimar em cerca de 10 milhões de crianças que estarão virtualmente fora da escola", afirma Ib Teixeira. De acordo com o trabalho, das 6,5 milhões de crianças matriculadas na 1a. série em 1978, apenas 41,4% chegaram à universidade. O analfabetismo atinge 41,4% das crianças com idade entre sete e nove anos. E chega a 28,6% na faixa entre 10 e 17 anos. O Brasil inverte os valores, investindo em cursos universitários
77439 assistidos por dois ou três alunos, enquanto falta ensino básico, diz o economista. Nos chamados "tigres asiáticos" ocorre o contrário. Esse contingente sem educação é superior à população de Portugal. Segundo Teixeira, há uma necessidade urgente de se inverter a pirâmide educacional, porque o Brasil é um dos únicos países do mundo que ainda dobram a população a cada 25 anos. A Alemanha demora 400 anos para dobrar a população, disse. Com o crescimento populacional, há cada vez menos salas de aula. Para Teixeira, é constrangedor que o país conviva com essa situação quando o artigo 208 da Constituição determina que o ensino fundamental seja obrigatório e gratuito, inclusive para os que não tiveram acesso na idade própria (O ESP).