SALÁRIO-MÍNIMO PASSA A CR$32.882,00 EM JANEIRO

A partir de 1o. de janeiro o salário-mínimo passa a CR$32.882,00, com um reajuste de 74,28% sobre o valor de dezembro, atingindo os US$100,00. O novo mínimo foi anunciado ontem pelo ministro do Trabalho, Walter Barelli. A hora trabalhada passa a valer CR$149,47 e o dia CR$1.096,07. Barelli reconheceu que o valor do mínimo está aquém do necessário, mas, segundo ele, indica uma recuperação progressiva. De dezembro de 1992 a dezembro deste ano, o valor do mínimo subiu de US$42,18 para US$60,45. Ele admitiu, também, que o valor de US$100,00 pode cair já no início do mês, caso a taxa cambial registre alta. O ministro disse que a meta em 1994 é recuperar o valor real do salário-mínimo. O novo salário-mínimo, que o trabalhador só vai receber no começo de fevereiro, representa apenas 26,5% do poder de compra que tinha em 1940, quando foi criado. Segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), para voltar aos níveis de 1940, o mínimo de dezembro deveria estar em torno de CR$147 mil, considerando-se um reajuste de 40% sobre o valor ideal de novembro (CR$104,9 mil) calculado pela instituição. O ministro do Trabalho apresentou ainda um balanço da evolução do emprego e dos salários de janeiro a outubro de 1993, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em São Paulo, por exemplo, o número de assalariados cresceu 2,1%, e a massa real de salários aumentou 10%. Os números do Distrito Federal indicam uma evolução ainda maior: enquanto o número de assalariados cresceu 2,4%, o conjunto das folhas de pagamento aumentou 13,4%. O ministro Walter Barelli endossou a proposta do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, articulador nacional da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, para que 1994 seja o ano do emprego. O ponto de partida será o financiamento da safra agrícola de verão, que deverá gerar cerca de 400 mil novos empregos. O governo espera ainda o sucesso das medidas de estabilização da economia e deve fazer um teste para avaliar as probabilidades de êxito de outra idéia de Betinho: o não-pagamento temporário de encargos do trabalhador. O presidente Itamar Franco determinou ao ministro que intensifique os estudos a esse respeito (JC) (GM) (O Globo).