O governo decidiu, ontem, liberar as guias para a importação de 1,485 milhão de toneladas de trigo do Canadá, adquiridas a um preço médio de US$104,00 por tonelada (FOB) para embarque entre janeiro e outubro de 1994. As primeiras guias para a internação, já em janeiro, de 200 mil toneladas do cereal, foram liberadas ontem mesmo pelo Departamento Técnico de Intercâmbio Comercial (DTIC). Não resolverá o problema da inflação, pois o preço do pão para o
77399 consumidor continuará subindo; não resolverá o problema do rombo nas
77399 finanças do governo, porque ele venderá seus estoques por um preço mais
77399 barato do que comprou, subsidiando os moinhos; e não vai resolver a
77399 dificuldade de resgates dos Empréstimos do Governo Federal (EGF), feitos a
77399 um valor médio de US$140,00 por tonelada, enquanto o produto importado
77399 chegará ao mercado a US$114,40 por tonelada. Assim reagiu, ontem, o diretor comercial da Cooperativa Tricícola de Cruz Alta (Cotricruz), Fábio Oberto, à liberação pelo governo da importação de 200 mil toneladas de trigo canadense por US$114,00 por tonelada (US$104,00 mais 10% de alíquota de importação). Segundo ele, a autorização "é mais um indicativo de que o governo não quer estimular a triticultura local, mas pretende financiar os produtores estrangeiros". A aquisição de trigo canadense provocou também reações do governo argentino, que alega que a importação de cereal subsidiado fere o Tratado do MERCOSUL. O Brasil é o maior cliente da Argentina neste setor. O trigo só poderia ser taxado depois de entrar em território nacional. Isso, se o Brasil conseguir provar a existência do subsídio: os EUA, principais concorrentes do Canadá, vêm tentando há anos comprovar a existência dos incentivos. Quanto às importações de trigo da Alemanha, o governo ainda não se pronunciou sobre a liberação de guias (GM).