OPERÁRIOS ANALFABETOS SÃO MAIORIA NA INDÚSTRIA

Uma legião de operários analfabetos ou semi-alfabetizados é o maior obstáculo para a competitividade da indústria brasileira. Segundo trabalho preparado por pedagogos do Serviço Social da Indústria (SESI) em São Paulo, dos trabalhadores empregados pela indústria em todo o país, 40% no máximo têm o antigo curso primário completo. Isto significa que a maioria dos operários brasileiros praticamente não sabe ler e escrever. Na indústria de transformação e da construção civil, os índices são ainda mais preocupantes: menos de 10% concluíram o 1o. Grau. O problema ganha dimensões mais graves ainda quando se analisa o perfil dos 60% de trabalhadores na indústria que nem mesmo têm o curso primário concluído. Nas estatísticas oficiais do governo, metade desse contingente já teria conseguido ultrapassar a barreira do analfabetismo, sabendo ao menos escrever o próprio nome. Para a indústria, contudo, essas pessoas não passam de analfabetos "funcionais". Para a indústria, analfabetos completos ou "funcionais" (mais comumente identificados como semi-analfabetos) são uma coisa só, do ponto de vista produtivo, porque enfrentam as mesmas dificuldades na convivência com processos informatizados e complexos projetos de qualidade e produtividade. Sem capacidade para responder aos desafios de modernização, como compreender as mínimas etapas estabelecidas por um manual de adequação de procedimentos à norma ISO-9000, o analfabeto funcional não consegue discutir o que está fazendo nem participar nos grupos responsáveis pela implantação de mudanças operacionais e gerenciais visando a ganhos de produtividade e qualidade. Consultores e a própria Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliam que esse problema crônico retarda e chega até a comprometer as metas preconizadas de competitividade pelas empresas. Por isso, 145 indústrias paulistas já se cadastraram no programa de supletivo de ensino básico que o SESI organizou para o ano que vem e que beneficiará 25 mil trabalhadores. Um outro estudo, coordenado pelo economista Luciano Coutinho, que reuniu técnicos de várias instituições para formular, a pedido do governo federal, uma nova política industrial, põe a educação como o ponto prioritário de uma agenda que pretenda abrir caminhos para o desenvolvimento competitivo da indústria. O estudo considera o déficit educacional incompatível com os novos sistemas de produção. O estudo constatou que, para a maioria das empresas pesquisadas na elaboração do trabalho, a educação básica e a disponibilidade de cursos complementares e de especialização são consideradas fundamentais para permitir ganhos de competitividade (O Globo).