O mapa mundial com a disponibilidade de calorias situa o Brasil numa posição confortável. As 2.730 calorias/dia à disposição de cada habitante é uma cifra próxima da registrada no Japão (2.921) e bem superior à de países africanos com problemas crônicos de nutrição, como a Etiópia (1.699), Chade (1.733) ou Angola (1.881). São dados compilados pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) e que comprovam a tese de que há estatisticamente comida para todos. O problema é que ela é mal distribuída em termos regionais e nas camadas sócio-econômicas da população. As estatísticas da FAO também demonstram que os países de maior renda por habitante não são, necessariamente, os que registram a maior disponibilidade de calorias por dia. Um sueco tem à sua disposição 2.978 calorias, pouca coisa a mais que o Brasil. É um país em que não há subnutrição e que exibe índices excelentes de saúde, como as menores taxas mundiais de mortalidade infantil (menos de cinco por cada mil nascidos vivos, até um ano de idade). Mas, nesse raciocínio, a recíproca não é verdadeira. Os países mais pobres são aqueles nos quais, efetivamente, o consumo diário de calorias é mais baixo. A África subsaariana, com problemas crônicos de fome, possui a média diária de 2.098 calorias/habitante. A disponibilidade diária de calorias, na média por habitante no mundo é de 2.697. Na América do Norte, de 3.604; na América Latina, de 2.689; na Europa Ocidental, de 3.378; na Europa Oriental, de 3.386; na África do Norte, de 3.010; na África Subssaariana, de 2.098; na Ásia Oriental de 2.600; e na Ásia do Sul, de 2.224 (FSP).