ROMBO NO PAÍS É DE US$140 BILHÕES

A corrupção, o desperdício, a negligência e a sonegação impuseram ao Brasil, num cálculo subestimado, a perda de pelo menos US$140 bilhões, quantia superior à dívida externa do país, avaliada em US$110 bilhões. Esse rombo nos cofres públicos é resultado da apuração de 22 casos de corrupção, descobertos principalmente a partir do início do governo Collor de Mello, em março de 1990. As fraudes atingiram, especialmente, o Orçamento Geral da União, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e a LBA (Legião Brasileira de Assistência). Só a sonegação fiscal, segundo estimativas do governo, chega a US$80 bilhões por ano. O rombo nos cofres públicos é o seguinte: Máfia do Orçamento-- Avaliação preliminar indica que os envolvidos movimentaram mais de US$100 milhões em suas contas bancárias desde 1989. Somente o deputado João Alves (sem partido-BA) movimentou, em suas 13 contas bancárias, mais de US$50 milhões. Subvenções sociais-- O Ministério da Ação Social liberou US$152,7 milhões em subvenções sociais para entidades filantrópicas de todo o país entre 1989 e 1992. Não houve fiscalização da aplicação desses recursos e cerca de US$50 milhões foram desviados. Dos US$61 milhões liberados para 57 entidades do Rio de Janeiro, US$26 milhões foram para entidades sem registro jurídico. Empreiteiras-- Superfaturaram os preços das obras públicas em até 100%. FGTS-- Foram desperdiçados US$5 bilhões, nos 17 anos de existência do Fundo, com obras superfaturadas. No governo Collor houve um rombo de US$500 milhões. PC Farias-- O ex-tesoureiro de campanha de Collor sonegou cerca de US$100 milhões através de suas empresas. Só nos dois anos do governo Collor, Paulo César Farias adquiriu um patrimônio avaliado em US$1 bilhão. INSS-- Só no Estado do Rio de Janeiro, a quadrilha de fraudadores da Previdência Social causou prejuízos de mais de US$550 milhões. Sonegação-- A Receita Federal estima que, para cada cruzeiro que arrecada, um cruzeiro é sonegado. Assim o governo deixa de arrecadar anualmente algo próximo a US$80 bilhões. Obras faraônicas-- O governo desperdiça anualmente US$650 milhões com juros de projetos de energia que podem não ser concluídos. A Ferrovia do Aço desperdiçou US$200 milhões e a Hidrelétrica de Xingó foi superfaturada em US$1,5 bilhão. Grãos-- Em fevereiro de 93, o governo detectou: cerca de 13 milhões de toneladas de grãos-- 20% da safra estimada em 67 milhões de toneladas-- seriam perdidos. A conta chegava a US$6 bilhões se contabilizada a perda total do setor. Comida-- Em 92, uma CPI devassou os cinco maiores programas do governo destinados a combater a fome. Resultado: de cada US$10 que saíam de Brasília, apenas US$3 se transformavam em alimento para a população carente. Saúde-- Anualmente, cerca de US$1,5 bilhão destinado ao setor é desviado. Em março de 91, a compra de 2,6 milhões de seringas pelo Ministério da Saúde sem licitação e a preços superfaturados causou prejuízo de US$42,8 milhões. Merenda-- A FAE (Fundação de Assistência ao Estudante) comprou a preços superfaturados US$128 milhões em merenda escolar. A operação foi concretizada no dia em que Carlos Chiarelli deixou o Ministério da Educação, em agosto de 91. VASP-- Privatizada, a VASP refinanciou, em setembro de 90, uma dívida de US$276 milhões com o Banco do Brasil. Em outubro, o presidente da PETROBRÁS denunciou pressões de PC Farias para a aprovação de outro empréstimo de US$40 milhões à VASP. Usineiros-- O governo Collor refinanciou a dívida de US$1,5 bilhão de usineiros com a União. Os devedores foram beneficiados com prazos de 100 meses a 15 anos para pagar. LBA-- A LBA comprou, em 90, 186 mil cestas básicas sem concorrência, pagando US$5,9 milhões, 20% acima do valor de mercado. Em 91, a então primeira-dama Rosane Collor distribuiu ilegalmente para Canapi (AL) US$868 mil. S.O.S Rodovias-- Depois de ver regogado seu decreto que dispensava de licitação as empreiteiras que participariam do projeto S.O.S Rodovias, orçado em US$500 milhões, o secretário nacional de Transportes, Marcelo Ribeiro, se demite. Poços-- O escândalo do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca) revelou que dos 25 mil poços abertos pelo órgão até 93, 18 mil foram em terras particulares. Foi constatado superfaturamento de US$302 milhões na construção de nove barragens feitas no Nordeste pelo DNOCS. Festa-- Com dinheiro público, a primeira-dama Rosane Collor pagou em julho de 91 um banquete para sua amiga Eunícia Guimarães. A festa custou US$15 mil. Rosane foi condenada a devolver o dinheiro à União com juros e correção. Indenização-- Em março de 91, a Justiça condenou o ex-presidente João Figueiredo e políticos a pagar à União US$59 milhões-- o prejuízo causado pela indenização à CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) na suposta exploração do garimpo de Serra Pelada (PA). Imóveis-- Pelo menos US$1,8 milhão foram perdidos pela antiga Superintendência de Construção e Administração de Imóveis (Sucad). Quatro empresas foram pagas sem executar o serviço: reformas e troca de rede de esgoto em 21 prédios do governo. Liquidações-- Somente com a liquidação da Internor, subsidiária em Nova Iorque (EUA) da INTERBRÁS, o Brasil perdeu pelo menos US$12,2 milhões. O liquidante Wilson José Peroni pagou valores muito acima dos previstos para fechar os acordos de indenização. Crianças-- Em 91, a ex-presidente da CBIA (Fundação Centro Brasileiro para Infância e Adolescência), Maria de Fátima de Omena, e seu marido, o deputado Francisco das Chagas Porcino, foram acusados de desvio de mais de Cr$1 bilhão (O Globo).