CAMPANHA AMENIZA OS EFEITOS DA POBREZA

A campanha contra a fome ajudou a amenizar os efeitos da pobreza em algumas localidades, mas as ceias de Natal foram miseráveis na maior parte do país. A reportagem do jornal "Folha de S.Paulo" acompanhou famílias carentes em todo o Brasil; muitas não tiveram o que comer. Em São Paulo (SP), a miséria foi generalizada para os 1.044.981 moradores das 1.805 favelas da cidade. "Natal? Essas coisas não existem por aqui. Nós não jantamos nunca; hoje não vamos jantar nem cear", disse o faxineiro alagoano Pedro Brandão, 40 anos, que mora em um barraco de três por dois metros na favela Heliópolis, na zona sul. Na Praça da Sé, centro, 18 crianças passaram a noite cheirando esmalte para matar a fome. A.P.C., 12 anos, fugiu há seis anos de casa. "Nesse Natal, queria um presente: que minha mãe morresse, agora mesmo", disse. Em Belém (PA), adolescentes passaram a noite de Natal sentados na calçadas e comendo, com as mãos, um pouco de carne e farinha misturadas. Em Curitiba (PR), os 300 moradores da Vila da Antena tiveram apenas arroz e feijão. Na capital do país, Brasília (DF), a família do baiano João Batista de Freitas, 51 anos, não teve o que comer. "Esse Natal está sendo igual aos outros, sem nada para comer", disse. Emprego. Foi esse o presente de Natal escolhido pelos mendigos e catadores de papel que vivem debaixo das marquises dos prédio no centro do Rio de Janeiro (RJ). Eles improvisaram ceias com restos de comida e alimentos doados por restaurantes e moradores na noite de Natal (FSP).