FOME SÓ ACABA COM RIQUEZA REDISTRIBUÍDA

Quem passa fome é porque não tem dinheiro para comprar comida. Esse presuposto trivial levou no último dia nove os seis participantes do debate "O Brasil que passa fome", promovido pelo jornal "Folha de S.Paulo", a analisarem de forma crítica as causas das desigualdades econômicas e a proporem alternativas capazes de acabar com a indigência. Diante do perfil biográfico diversificado dos debatedores, é óbvio que as propostas não foram coincidentes. Elas representam, de qualquer modo, um rico leque de diagnóstico e soluções. Uma das concordâncias: o Estado é incompetente e cumpre mal sua tarefa de redistribuição da renda nacional. Com isso, deixa de instrumentalizar os mais pobres. Eles entram com menor qualificação no mercado de trabalho, onde a oferta de empregos é bem menor que a demanda. A remuneração dessa mão-de-obra é consequentemente mais baixa e é ela que sofre com os efeitos da nutrição insuficiente. A questão se agrava ainda mais diante de um outro dado: os domicílios indigentes são aqueles que agrupam uma parcela quase majoritária de crianças e adolescentes. Se nada for feito, de maneira rápida e radical, o país entrará no século 21 com o acirramento do atual quadro de desigualdades sociais. Participaram do debate o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ministro da Fazenda no governo Sarney; Eduardo Giannetti da Fonseca, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP); Jair Meneguelli, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT); Emerson Kapaz, empresário e coordenador-geral do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE); Pedro Camargo Neto, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB); e Edward Amadeo, economista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro (FSP).